C30. História
Componente Curricular: História / Professor(a):
Raphael Martins de Mello / Turmas: C30
A
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E SEUS DESDOBRAMENTOS
BOULOS JUNIOR, Alfredo. História: sociedade & cidadania. 9º ano. 4. ed. São Paulo: FTD,
2018.
O PROCESSO QUE CONDUZIU À REPÚBLICA
Na segunda
metade do século XIX, um processo histórico importante foi o que conduziu à
implantação da República no Brasil.
(República: forma de governo em que um Presidente é
eleito pelos cidadãos, ou seus representantes, governando por tempo limitado.
Na República, o dirigente representa o corpo social – a sociedade e todos os
seus relacionamentos – e é o responsável pela coisa pública – res publica, ou o
bem comum a todos.)
A idéia de
república não era nova no Brasil; antes e depois da Independência, o território
brasileiro foi palco de várias rebeliões republicanas, a exemplo da Cabanagem
(1835-1840), no Grão-Pará, e da Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul e
em Santa Catarina. Mas a Monarquia conseguiu reprimir esses movimentos
graças, principalmente, aos recursos obtidos com as exportações de café.
(Monarquia: forma de governo em que, geralmente, o rei recebe o cargo como
herança e governa por toda a vida. Na Monarquia, o soberano é tido como alguém
que sabe o que é melhor para seus súditos e, muitas vezes, a legitimidade de
seu poder deriva de uma divindade.)
No Segundo
Reinado, os dois únicos partidos, o Liberal e o Conservador controlavam, pois,
o poder, enquanto a imensa maioria da população continuava excluída do direito
à cidadania. Com o objetivo de ampliar o seu espaço na política, um grupo
formado por fazendeiros do Oeste Paulista e por profissionais liberais
(advogados, médicos, professores, engenheiros, jornalistas) lançou, em 1870, o Manifesto Republicano, que defendia o Federalismo
e a República.
(Federalismo: sistema baseado na autonomia das
províncias. Estas fariam suas próprias leis e elegeriam seus próprios
representantes.)
O Manifesto
afirmava: “Somos da América e queremos ser americanos”; ou seja, somos
favoráveis a que o Brasil adote a República, assim como os demais países da
América. Esse manifesto inspirou o surgimento de diversos jornais, clubes e
partidos republicanos. Três anos depois de seu lançamento, foi fundado em Itu,
interior paulista, o Partido Republicano
Paulista (PRP).
O Movimento
Republicano daquela época estava dividido em três grupos: I) um deles era liderado pelo jornalista Quintino Bocaiuva, que
propunha chegar à República por via eleitoral (por meio da eleição de um grande
número de deputados republicanos); II)
outro grupo, liderado pelo advogado Antônio da Silva Jardim defendia, pois, a
passagem para a República por meio de um movimento popular; III) e em terceiro, um grupo formado em
torno do Major Benjamin Constant, importante líder militar que defendia a
instalação de uma República com um governo forte.
Durante o
processo que conduziu à República no Brasil, duas questões envolvendo a Igreja
e o Exército contribuíram, vale dizer, para acelerar a queda do Império.
A QUESTÃO RELIGIOSA
Com a
Constituição de 1824, O Império passou a controlar a Igreja por meio do
beneplácito e do padroado. O beneplácito
era o direito que imperador tinha de aprovar ou não as bulas do papa em terras
brasileiras. Ou seja, uma orientação do papa só entraria em vigor no Brasil se
tivesse o consentimento do imperador.
(Bula papal: carta expedida pelo papa, pelo Vaticano contendo, assim, orientações
aos católicos.)
O padroado era o direito que o imperador tinha
de nomear os bispos. Estes, além de serem nomeados eram, também, remunerados
pelo governo como qualquer outro funcionário público.
Em 1864, o
papa Pio IX proibiu os católicos de fazerem parte da maçonaria. Dom Pedro II, porém,
não deu seu beneplácito à bula papal, pois ele matinha relações estreitas com a
maçonaria. (Seu pai, Dom Pedro I havia, pois, alcançado o posto máximo dessa
organização.) Já o bispo de Olinda, D. Vital de Oliveira, bem como o bispo de
Belém do Pará, D. Antônio Macedo Costa optaram, então, por obedecer ao papa e
exigiram que as irmandades religiosas expulsassem seus membros maçons.
Reagindo a
isso e com base na Constituição Brasileira, D. Pedro II abriu uma ação contra
os bispos, os quais foram julgados e condenados a quatro anos de prisão. Após
um ano de prisão, D. Pedro II entrou em acordo com o papa e suspendeu a punição
dada aos bispos.
Entretanto,
os republicanos aproveitaram-se da Questão
Religiosa para manchar a imagem do imperador. Por meio de comícios e de
jornais, estes passaram a acusar D. Pedro II de se intrometer em assuntos
particulares da Igreja e de não dar liberdade religiosa aos brasileiros. Esse
fato contribuiu para enfraquecer a Monarquia.
Nos anos
1880, o Movimento Republicano ganhou força: foram fundadas centenas de clubes e
dezenas de jornais republicanos por todo o país. Comícios atraiam um número
cada vez maior de pessoas. Foi quando a Questão
Militar acelerou ainda mais o processo que conduziu à República.
A QUESTÃO MILITAR

Deodoro da
Fonseca e seus soldados destituíram o governo monárquico, pondo fim à Monarquia
e dando início à República no Brasil.
GOVERNO DEODORO DA FONSECA
Os dois
primeiros presidentes do Brasil foram militares e governaram entre 1889 e 1894.
Esse período é conhecido como República
da Espada. O primeiropresidente militar do Brasil foi o marechal Deodoro da
Fonseca, o qual é lembrado pela reforma financeira e pela aprovação da primeira
Constituição da República.
A REFORMA E A CRISE FINANCEIRA
Com o
objetivo de expandir o crédito e incentivar a industrialização do país, o então
ministro da fazenda Rui Barbosa autorizou, pois, quatro bancos a emitirem
dinheiro para conceder empréstimos àqueles que desejassem abrir uma empresa.
Essa reforma financeira
não teve, porém, o sucesso esperado; muitos usavam o dinheiro emprestado pelo
governo para fundar empresas fantasmas (que só existiam no papel). Em seguida,
mandavam imprimir ações dessas falsas empresas e vendiam-nas na Bolsa de Valores. Passando de mão em
mão, as ações subiam de preço e enriqueciam os que praticavam a especulação.
(Bolsa
de Valores: local onde são
negociados determinados papéis com valor monetário de empresas e do governo. Os
papéis do governo são chamados de títulos, e os das empresas, de ações.)
(Especulação:
prática que consiste em criar uma procura ou oferta artificial de um bem ou
mercadoria, visando obter lucro com o comportamento futuro do mercado.)
Deodoro da
Fonseca foi eleito com uma vantagem de apenas 32 votos sobre o adversário; já o
vice-presidente eleito, Floriano Peixoto, era da chapa da oposição e venceu seu
adversário por uma diferença de 96 votos.

presidência
e vice-presidência da República, respectivamente. As figuras femininas
representam os estados da República.
Eleito,
Deodoro da Fonseca formou um Ministério com pessoas de diferentes tendências
republicanas: o Ministério da Guerra foi entregue ao militar positivista
Benjamin Constant; o Ministério das Relações Exteriores ao republicano civil
Quintino Boncaiuva; o Ministério da fazenda ao intelectual baiano Rui Barbosa.
No poder,
Deodoro teve de enfrentar dificuldades: tinha um vice da oposição e muitos
parlamentares o responsabilizavam pelo “encilhamento”. Esses parlamentares
aprovaram um projeto que limitava o seu poder como presidente da República.
Deodoro reagiu de modo autoritário mandando fechar o Congresso (novembro de
1891).
Diante disso,
os militares da Marinha ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro caso Deodoro não
renunciasse; esse episódio é conhecido como a Primeira Revolta da Armada.
Pressionado, Deodoro da Fonseca renunciou e a presidência foi ocupada por seu
vice.
GOVERNO FLORIANO PEIXOTO
Floriano
Peixoto reabriu o Congresso e formou seu ministério com alguns representantes
dos cafeicultores paulistas. Durante sua gestão reduziu os aluguéis e tabelou o
preço de alguns alimentos, como carne, feijão, pão e batata. E, com essas
medidas, Floriano Peixoto conquistou grande popularidade.
Mas os seus
adversários, entre os quais estavam vários generais do Exército, iniciaram uma
campanha exigindo sua renúncia. Floriano Peixoto reagiu aposentando os
generais. Os militares da Marinha, por sua vez, também se levantaram contra o
seu governo e, desta vez, chegaram a bombardear o Rio de Janeiro com tiros de
canhão, para exigir a renúncia do presidente; o episódio ficou conhecido como Segunda Revolta da Armada (1893).
Floriano
Peixoto, porém, conseguiu dinheiro junto aos cafeicultores paulistas, comprou
navios no exterior e, com o apoio dos soldados do Exército, venceu a revolta
liderada pela Marinha. Para defender o presidente Floriano, conhecido então
como “Marechal de Ferro”, formaram-se batalhões populares; era o florianismo
contagiando o povo.
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A REVOLTA FEDERALISTA
Enquanto
isso, no Rio Grande do Sul explodia uma guerra civil motivada pela disputa
entre o Partido Republicano Rio-Grandense, liderado pelo positivista Júlio de
Castilhos, e o Partido Federalista, liderado por Gaspar de Silveira Martins. Os
seguidores de Júlio de Castilhos tinham o apelido de pica-paus e recebiam o
apoio de Floriano Peixoto. Já os seus adversários tinham o apelido de maragatos
e eram apoiados pelos membros da Marinha adversários de Floriano.
Essa guerra
civil atingiu os estados de Santa Catarina e Paraná, causou a morte de milhares
de pessoas e só terminou em 1895, com a vitória dos pica-paus; com essa
vitória, o castilhismo consolidou-se como uma corrente política que influenciou
a história do Rio Grande do Sul por décadas.
Quando
Floriano Peixoto deixou a presidência, seus opositores tinham sido praticamente
vencidos e um modelo autoritário e excludente de República era imposto ao país.
Vista interna do Museu das Armas, em Lapa (PR). O
armamento que você vê foi usado durante a Revolução Federalista. Fotografia de
2014.
ATIVIDADES
1. O texto a seguir é do jornalista
José do Patrocínio. Leia com atenção.
“A abolição da escravidão é uma
necessidade da honra e da paz nacional. O escravo é na nossa sociedade uma
vergonha e uma ameaça. [...] O escravo assimilou a nação e se tornou o seu
símbolo. Concentrando em si nossa riqueza, a nossa pátria está nos seus
músculos. No dia em que as claridades do direito forem alvorear [...] o dia da
justiça; neste dia se interromperá de súbito para as atuais classes dirigentes
a vida de prestígio e de força [...]”
DEL PRIORE, Mary et al. Documentos de
historia do Brasil: de Cabral aos anos
90. São Paulo: Scipione, 1997. p. 61.
Responda:
a) Que argumentos o jornalista José do Patrocínio usou em defesa da
Abolição?
b) Qual o significado de “a nossa pátria está nos seus músculos”?
c) Qual o significado de “o dia da justiça” na fala de José do
Patrocínio?
2. Leia um trecho do Manifesto
Republicano e responda às questões a seguir.
Manifesto Republicano
“A
centralização, tal qual existe [...], comprime a liberdade, [...] suga a
riqueza [...] das províncias, constituindo-as satélites [...] do grande astro
da Corte – centro que tudo corrompe e tudo concentra em si [...]. [...]
O regime de
federação baseado [...] na independência recíproca das províncias, elevando-as
à categoria de Estado [...] unicamente ligados pelo vínculo da mesma
nacionalidade [...), é aquele que adotamos no nosso programa [...]. [...]
Somos da
América e queremos ser americanos.”
MANIFESTO Republicano. In: DEL PRIORE, Mary. Documentos de história do Brasil: de
Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997. p. 67.
a) O que o Manifesto está criticando?
b) O que os republicanos defendem nesse Manifesto?
c) Qual o significado de “Somos da América e queremos ser
americanos”?
3. (UFRS) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do enunciado a
seguir, na ordem em que aparecem.
Entre os elementos fundamentais
para a compreensão do processo histórico que culminou com o fim do Segundo
Reinado, é correto citar o desfecho da ________ ,o ________ e o movimento
_________.
a) Guerra da Cisplatina – conflito com a Igreja Católica –
republicano.
b) Guerra do Paraguai – crescimento do republicanismo –
abolicionista.
c) Revolta da Balaiada – conflito com a maçonaria – abolicionista.
d) Questão Christie – conflito com a maçonaria – republicano.
e) Guerra dos Farrapos – conflito com as ordens religiosas – abolicionista.
4. Identifique a alternativa
INCORRETA e justifique, em poucas palavras, a sua escolha.
a) Os grupos mais importantes na Proclamação da República no Brasil
foram o dos
pequenos comerciantes e o dos
pecuaristas do Nordeste, reunidos no PRP.
b) A mocidade militar era formada por jovens de menos de 30 anos,
que possuíam
educação superior e valorizavam o
estudo das ciências exatas.
c) Os dois primeiros governos republicanos foram presididos por
militares; por isso
essa primeira fase do novo regime
é conhecida como República da Espada.
d) A crise resultante da política financeira de Rui Barbosa foi
chamada de encilhamento
5. (PUC-SP) A constituição
brasileira de 1891:
a) permitiu a plena democratização do país, com a superação do
regime militar.
b) criou um quarto poder, o moderador, que atribuía plenos poderes
ao imperador.
c) separou o Estado, agora republicano, da igreja católica.
d) manteve a permissão para a existência de mão de obra escrava.
e) eliminou os resquícios autoritários do varguismo.
6. Análise com atenção o texto e a charge a
seguir, que fazem referência ao governo do primeiro presidente brasileiro, o
marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891).
|
a) como o marechal Deodoro é representado na charge?
b) quem seriam os inimigos da Pátria a que lenda se referia?
c) o chargista se posiciona a favor ou contra o governo de Deodoro?
Como você chegou a essa
conclusão?







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