C20. História


Componente Curricular: História / Professor(a): Raphael Martins de Mello / Turmas: C20

ILUMINISMO
BOULOS JUNIOR, Alfredo. História: sociedade & cidadania. 9º ano. 4. ed. São Paulo: FTD, 2018.

O Iluminismo ou Ilustração foi, pois, um movimento de idéias que se desenvolveu na Europa nos séculos XVII e XVIII e que continua, vale dizer, influenciando o mundo atual.
Mas no que acreditavam as pessoas envolvidas nesse movimento? Qual era para eles o valor supremo?
Para responder isso, vamos começar aqui com o próprio nome do movimento: Iluminismo, que deriva do fato de seus integrantes – os iluministas – viam a si mesmos como os defensores da luz (razão) contra as trevas (a tradição e a autoridade).
Para os membros do movimento, devia-se duvidar de tudo o que era aceito porque “sempre tinha sido assim” (tradição)|, ou porque tinha sido dito por alguém com poder ou prestígio (autoridade).
A razão era, para os iluministas, o valor supremo. Só por meio da razão e da sua aplicação, isto é, do ato de pensar, a humanidade alcançaria a luz, o esclarecimento. Para os iluministas, a maioria das pessoas estava mergulhada na ignorância, no fanatismo religioso; só a razão as esclareceria.

  Imagem de Simon Louis Boizot. Título: A Liberdade munida com o cetro da razão fulmina a Ignorância e o Fanatismo (1793).

PROGRESSO, OTIMISMO E DEUS

Os iluministas acreditavam que a razão conduziria os seres humanos ao progresso. Com o passar do tempo, a ignorância, fruto da irracionalidade desapareceria e teríamos, então, uma humanidade esclarecida. Essa crença constante no progresso da humanidade os fazia otimistas. A maioria deles acreditava em Deus segundo a visão do “grande relojoeiro do universo”, ou seja, Aquele que criou o mundo e o pôs para funcionar “precisamente”. Os iluministas acreditavam que o mundo era regido por leis naturais, o que tornava essencial conhecê-las para entendê-lo de fato – motivo este que os fazia tão dedicados à ciência.
Os iluministas também reagiram ao Antigo Regime, opondo-se aos privilégios da nobreza e da Igreja, à intolerância religiosa e à falta de liberdade daquelas sociedades onde as pessoas eram proibidas de dizer o que pensavam.


 Antoine-Laurent de Lavoisier (1743-1794), um dos mais importantes iluministas no campo da ciência.
Graças às suas descobertas, a Química se transformou em uma ciência moderna.

ALGUNS PENSADORES ILUMINISTAS

Entre os pensadores iluministas mais conhecidos estão Locke, Voltaire, Montesquieu e Rousseau.

*John Locke e o liberalismo político: o inglês John Locke (1632-1704) dizia que, ao nascerem, todas as pessoas tinham os mesmos direitos: direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos “naturais”, os indivíduos haviam criado governos. Mas, se os governantes tentassem impor o seu poder, a sua vontade de maneira absoluta, as pessoas poderiam se rebelar e retirá-lo do trono à força – inclusive com o uso de armas. Por este tipo de idéias, Locke foi considerado um dos “criadores” do liberalismo – isto é, da defesa da liberdade individual – na política.

*Voltaire, liberdade de expressão e tolerância: o francês Voltaire, cujo nome era François-Marie Arouet (1694-1778) tornou-se conhecido, sobretudo, por sua crítica à Igreja Católica e à monarquia francesa da época; porém, Voltaire foi também referência no combate à ignorância, ao preconceito e ao fanatismo religioso. Por dizer o que pensava, Voltaire foi preso duas vezes, situação esta que o levou a se refugiar na Inglaterra – país adotado pelo pensador como forma de evitar uma nova prisão.

Durante os três anos em que permaneceu naquele país, conheceu e passou a admirar as idéias políticas de John Locke. Com base nessa vivência, Voltaire escreveu Cartas Inglesas, obra na qual elogia a Inglaterra por ser um país em qeu havia liberdade de expressão, de religião e o poder do rei era limitado – diferentemente do que acontecia na França do período.
Voltaire também de destacou por sua luta em favor da liberdade de expressão. É atribuída a ele a conhecida frase “posso não concordar com nenhuma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.
*Montesquieu e a autonomia dos poderes: o jurista francês Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755) não se contentou, digamos, apenas em apontar problemas da sociedade em que vivia; apresentou também soluções para resolvê-los. Em sua principal obra, O Espírito das Leis, Montesquieu defendeu a idéia de que, quando as pessoas têm poder, elas tendem a abusar dele. Então, para solucionar este problema, era preciso evitar que o poder se concentrasse nas mãos de uma só pessoa ou um só grupo de pessoas. Inspirado nas idéias de Montesquieu, os estadunidenses Alexander Hamilton e James Madison formularam a teoria da divisão dos poderes em três: Executivo (para administrar o país e executar as leis), Legislativo (para elaborar e aprovar as leis) e Judiciário (para fiscalizar o cumprimento das leis e julgar os conflitos). Segundo essa teoria, o governo assim dividido só funcionaria bem se os três poderes fossem autônomos, isto é, se um não se intrometesse na área do outro.


 Imagem com os Três Poderes de Brasília:
Esquerda: Palácio do Planalto, sede do poder executivo;
Centro: Congresso Nacional (Senado e Câmara dos Deputados), sede do poder Legislativo;
Direita: Supremo Tribunal Federal, sede do poder Judiciário.

*Rousseau e o contrato social: Muitas idéias do suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) continuam sendo atuais. Em uma de suas principais obras, O Contrato Social, Rousseau defendeu que a vontade geral é soberana; ou seja, só o povo é soberano. Assim, para esse pensador, se o governo escolhido por um povo não o estiver representando, o povo9 não só pode como deve substituí-lo. Essas suas idéias influenciaram movimentos revolucionários dentro e fora da França, onde passou a viver em 1742. Os escritos de Rousseau foram, por exemplo, uma das fontes de inspiração da Revolução Francesa (1789), cujo lema era: liberdade, igualdade e fraternidade. Rousseau acreditava na idéia de que o ser humano é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe. Por isso, para o pensador, as crianças deveriam viver durante o maior tempo possível de sua infância em seu estado “natural” de inocência.
 
Eugène Delacroix. A liberdade guiando o povo (1830)

*Diderot e a enciclopédia dos iluministas: a partir de 1751, foi publicada na França uma obra chamada Enciclopédia, composta por 35 volumes, que levou 21 anos para ser editada. A idéia era reunir nela todo o conhecimento até então produzido e, ao mesmo tempo, divulgá-lo para muitas pessoas. O filósofo francês Denis Diderot (1713-1784) coordenou a edição da obra e convidou artistas, filósofos, cientistas, médicos, teólogos, entre outros profissionais para escrever os verbetes. Diderot escreveu que os eu objetivo era tornar as pessoas mais instruídas, tornando-as, assim, mais virtuosas e mais felizes. Por conter sérias críticas aos reis e à Igreja daquele período, a obra chegou a ser proibida e retirada de circulação pelas autoridades francesas. Na época, o número de pessoas que sabia ler era proporcionalmente muito menor do que hoje; apesar disso, a Enciclopédia foi um sucesso de vendas.
 

Hoje, entre os “ecos” da Enciclopédia dos iluministas, podemos destacar a Wikipédia: enciclopédia multilíngue, on-line, livre e colaborativa. 

*Adam Smith e o liberalismo econômico: os iluministas criticaram também a intervenção do governo na economia. Os primeiros a fazer essa crítica foram os fisiocratas franceses. Para estes, a terra era a única fonte de riqueza e, logo, a agricultura era a mais importante das atividades econômicas. Os fisiocratas afirmavam também que a economia era regida por leis; a mais importante delas era a lei da oferta e da procura. Explicando: quando a oferta de um produto é maior que a procura das pessoas por esse produto, o preço tende a baixar; quando ocorre o contrário, o preço tende a subir. Era precisamente isso, porque existiam essas leis econômicas que os fisiocratas defendiam, pois, que o governo não deveria interferir na economia – controlando a produção ou o preço das mercadorias que seriam comercializadas. Na verdade, para esses pensadores, o governo deveria apenas incentivar o progresso. Os fisiocratas criaram um lema que resumia muito bem seu pensamento: “laissez-faire, laissez-passer, Le monde va de lui-même” (deixai fazer, deixai passar, que o mundo caminha por si mesmo). O britânico Adam Smith (1723-1790) também defendia a livre concorrência de mercado, na qual o governo não interferiria na economia. Para o pensador, todas as nações e empresas, bem como todos os indivíduos sairiam lucrando ao se comportarem assim, pois cada uma produziria somente aquilo que conseguiria fazer melhor. Por exemplo: as nações com perfil mais agrícola se dedicariam à agricultura, enquanto as mais industrializadas se especializariam na indústria. Essa idéia foi muito bem recebida pela burguesia inglesa, uma vez que o país estava se industrializando rapidamente e desejava ampliar o mercado para seus produtos industrializados. Por defender a livre concorrência e por ser contrário à intervenção do Estado na economia, Adam Smith ficou conhecido como o “pai do liberalismo econômico”. (Importante: diferentemente dos fisiocratas, Adam Smith afirmava que a única fonte de riqueza era o trabalho, pois só o trabalho cria riqueza – e não a terra.)




ATIVIDADES

1. Assinale a alternativa INCORRETA e justifique, em poucas linhas, a sua escolha.

Para os iluministas:

a) A razão é um valor secundário; com ela ou sem ela, os homens poderiam alcançar o esclarecimento.

b) A razão devia penetrar todas as atividades humanas para destruir, assim, o preconceito e a ignorância.

c) Devia-se duvidar de tudo o que era aceito simplesmente porque havia sido dito por uma autoridade.

d) Todo conhecimento devia ser à crítica.

2. Observe a imagem abaixo com atenção.



Responda:

a) O que essas mãos sobre a personagem lembram você? O que sugerem?

b) A quais princípios iluministas podemos associar essa imagem?

3. Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.

“[...] A maioria dos filósofos do Iluminismo tinha uma crença inabalável na razão humana. Isto era algo tão evidente que muitos chamam o período do Iluminismo francês simplesmente de ‘racionalismo’. [...]
Entre o povo, porém, imperavam a incerteza e a superstição. Por isso, dedicou-se especial atenção à educação. [...] Os filósofos iluministas diziam que [...] a humanidade faria grandes progressos. Era apenas uma questão de tempo para que desaparecessem a irracionalidade e a ignorância e surgisse uma humanidade iluminada, esclarecida. [...].

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 338, 340.

Pergunta: o texto nos permite conhecer duas características do Iluminismo. Quais são elas?

4. É atribuída ao pensador iluminista Voltaire a seguinte frase “posso não concordar com nenhuma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”. O que ele quis dizer com isto?


5. O pensador iluminista Montesquieu escreveu:

“[...] tudo estaria perdido se o mesmo homem, ou o mesmo corpo dos principais ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer as leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as disputas de particulares.”

MONTESQUIEU, Livro XI apud PISIER, Evelyne. História das idéias políticas. Barueri, São Paulo: Manole, 2004. p. 74.

a) O que ele critica nesse trecho?

b) Que teoria os estadunidenses Alexander Hamilton e James Madison formularam a partir dessa crítica de Montesquieu? Explique.
6. Escreva um pequeno texto sobre o liberalismo econômico com base no seguinte roteiro:

a) Seus princípios básicos;


b) Sua opinião sobre o liberalismo e o Brasil atual.

Leia o texto a seguir.

O legado da Ilustração

[...] teria ainda a Ilustração forças para influenciar o nosso presente? Seu legado ainda existe, mas está em crise. Sua bandeira mais alta, a da razão, está sendo contestada. Sua fé na ciência é denunciada como uma ingenuidade perigosa, que estimulou a destrutividade humana e criou novas formas de dominação, em vez de promover a felicidade universal. [...]
Essas críticas não são de todo falsas, mas são unilaterais. A Ilustração foi, apesar de tudo, a proposta mais generosa de emancipação jamais oferecida ao gênero humano. Ela acenou ao homem com a possibilidade de construir racionalmente ao seu destino, livre da tirania e da superstição. Propôs ideais de paz e tolerância [...] Seu ideal de ciência era o de um saber posto a serviço do homem, e não o de um saber cego [...]. Sua moral era livre [...] pregando uma ordem em que o cidadão não fosse oprimido pelo Estado, o fiel não fosse oprimido pela religião, e a mulher não fosse oprimida pelo homem. [...]
Esses temas são [...] importantes e correspondem [...] de perto às exigências contemporâneas [...].

ROUANET, Sérgio P. As razões do Iluminismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 26-27.

Assinale a alternativa correta.

7. Para os adeptos da Ilustração, também chamados de iluministas, a ciência era capaz de:

a) criar novas formas de dominação.

b) estimular a destrutividade humana.

c) favorecer a opressão religiosa.

d) promover a felicidade universal.

8. Como o autor do texto se posiciona ante as críticas à Ilustração?

a) concorda porque os ideais da Ilustração não ajudam a resolver problemas atuais.

b) concorda parcialmente porque temas como liberdade e paz são ainda atuais.

c) discorda porque a Ilustração foi uma proposta de emancipação sem sucesso.

d) discorda porque tais críticas são falsas e incapazes de promover a felicidade universal.

9. No texto, a palavra emancipação pode ser associada à idéia Iluminista de:

a) libertação.

b) progresso.

c) razão.

d) tolerância.

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