C20. História
Componente Curricular: História / Professor(a): Raphael Martins de Mello / Turmas: C20
ILUMINISMO
BOULOS JUNIOR, Alfredo. História: sociedade & cidadania. 9º ano. 4. ed. São Paulo: FTD,
2018.
O Iluminismo ou Ilustração foi, pois, um
movimento de idéias que se desenvolveu na Europa nos séculos XVII e XVIII e que
continua, vale dizer, influenciando o mundo atual.
Mas no que
acreditavam as pessoas envolvidas nesse movimento? Qual era para eles o valor
supremo?
Para
responder isso, vamos começar aqui com o próprio nome do movimento: Iluminismo,
que deriva do fato de seus integrantes – os iluministas – viam a si mesmos como
os defensores da luz (razão) contra as trevas (a tradição e a autoridade).
Para os
membros do movimento, devia-se duvidar de tudo o que era aceito porque “sempre
tinha sido assim” (tradição)|, ou porque tinha sido dito por alguém com poder
ou prestígio (autoridade).
A razão era,
para os iluministas, o valor supremo. Só por meio da razão e da sua aplicação,
isto é, do ato de pensar, a humanidade alcançaria a luz, o esclarecimento. Para
os iluministas, a maioria das pessoas estava mergulhada na ignorância, no
fanatismo religioso; só a razão as esclareceria.
PROGRESSO, OTIMISMO E DEUS
Os
iluministas acreditavam que a razão conduziria os seres humanos ao progresso. Com o passar do tempo, a
ignorância, fruto da irracionalidade desapareceria e teríamos, então, uma
humanidade esclarecida. Essa crença constante no progresso da humanidade os
fazia otimistas. A maioria deles
acreditava em Deus segundo a visão do “grande relojoeiro do universo”, ou seja,
Aquele que criou o mundo e o pôs para funcionar “precisamente”. Os iluministas
acreditavam que o mundo era regido por leis naturais, o que tornava essencial
conhecê-las para entendê-lo de fato – motivo este que os fazia tão dedicados à
ciência.
Os
iluministas também reagiram ao Antigo Regime, opondo-se aos privilégios da
nobreza e da Igreja, à intolerância religiosa e à falta de liberdade daquelas
sociedades onde as pessoas eram proibidas de dizer o que pensavam.

Graças às suas descobertas, a Química se transformou em
uma ciência moderna.
ALGUNS PENSADORES ILUMINISTAS
Entre os
pensadores iluministas mais conhecidos estão Locke, Voltaire, Montesquieu e
Rousseau.
*John Locke e o liberalismo político: o inglês John Locke
(1632-1704) dizia que, ao nascerem, todas as pessoas tinham os mesmos direitos:
direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos
“naturais”, os indivíduos haviam criado governos. Mas, se os governantes
tentassem impor o seu poder, a sua vontade de maneira absoluta, as pessoas
poderiam se rebelar e retirá-lo do trono à força – inclusive com o uso de
armas. Por este tipo de idéias, Locke foi considerado um dos “criadores” do
liberalismo – isto é, da defesa da liberdade individual – na política.
*Voltaire, liberdade de expressão e tolerância: o francês Voltaire,
cujo nome era François-Marie Arouet (1694-1778) tornou-se conhecido, sobretudo,
por sua crítica à Igreja Católica e à monarquia francesa da época; porém,
Voltaire foi também referência no combate à ignorância, ao preconceito e ao
fanatismo religioso. Por dizer o que pensava, Voltaire foi preso duas vezes,
situação esta que o levou a se refugiar na Inglaterra – país adotado pelo
pensador como forma de evitar uma nova prisão.
Durante os três anos em que permaneceu naquele país, conheceu e passou a admirar as idéias políticas de John Locke. Com base nessa vivência, Voltaire escreveu Cartas Inglesas, obra na qual elogia a Inglaterra por ser um país em qeu havia liberdade de expressão, de religião e o poder do rei era limitado – diferentemente do que acontecia na França do período.
Voltaire
também de destacou por sua luta em favor da liberdade de expressão. É atribuída
a ele a conhecida frase “posso não concordar com nenhuma palavra do que você
diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.
*Montesquieu e a autonomia dos poderes:
o jurista francês Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755)
não se contentou, digamos, apenas em apontar problemas da sociedade em que vivia;
apresentou também soluções para resolvê-los. Em sua principal obra, O Espírito das Leis, Montesquieu
defendeu a idéia de que, quando as pessoas têm poder, elas tendem a abusar
dele. Então, para solucionar este problema, era preciso evitar que o poder se
concentrasse nas mãos de uma só pessoa ou um só grupo de pessoas. Inspirado nas
idéias de Montesquieu, os estadunidenses Alexander Hamilton e James Madison
formularam a teoria da divisão dos poderes em três: Executivo (para administrar o país e executar as leis), Legislativo (para elaborar e aprovar as
leis) e Judiciário (para fiscalizar
o cumprimento das leis e julgar os conflitos). Segundo essa teoria, o governo
assim dividido só funcionaria bem se os três poderes fossem autônomos, isto é,
se um não se intrometesse na área do outro.

Esquerda: Palácio do Planalto, sede do poder executivo;
Centro: Congresso Nacional (Senado e Câmara dos
Deputados), sede do poder Legislativo;
Direita: Supremo Tribunal Federal, sede do poder
Judiciário.
*Rousseau e o contrato social:
Muitas idéias do suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) continuam sendo
atuais. Em uma de suas principais obras, O
Contrato Social, Rousseau defendeu que a vontade geral é soberana; ou seja, só o povo é soberano. Assim,
para esse pensador, se o governo escolhido por um povo não o estiver
representando, o povo9 não só pode como deve substituí-lo. Essas suas idéias
influenciaram movimentos revolucionários dentro e fora da França, onde passou a
viver em 1742. Os escritos de Rousseau foram, por exemplo, uma das fontes de
inspiração da Revolução Francesa (1789), cujo lema era: liberdade, igualdade e fraternidade. Rousseau acreditava na
idéia de que o ser humano é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe. Por
isso, para o pensador, as crianças deveriam viver durante o maior tempo
possível de sua infância em seu estado “natural” de inocência.
Eugène Delacroix. A
liberdade guiando o povo (1830)
*Diderot e a enciclopédia dos iluministas: a partir de 1751, foi
publicada na França uma obra chamada Enciclopédia,
composta por 35 volumes, que levou 21 anos para ser editada. A idéia era reunir
nela todo o conhecimento até então produzido e, ao mesmo tempo, divulgá-lo para
muitas pessoas. O filósofo francês Denis Diderot (1713-1784) coordenou a edição
da obra e convidou artistas, filósofos, cientistas, médicos, teólogos, entre
outros profissionais para escrever os verbetes. Diderot escreveu que os eu
objetivo era tornar as pessoas mais instruídas, tornando-as, assim, mais
virtuosas e mais felizes. Por conter sérias críticas aos reis e à Igreja
daquele período, a obra chegou a ser proibida e retirada de circulação pelas
autoridades francesas. Na época, o número de pessoas que sabia ler era
proporcionalmente muito menor do que hoje; apesar disso, a Enciclopédia foi um
sucesso de vendas.
Hoje, entre os “ecos” da Enciclopédia dos iluministas,
podemos destacar a Wikipédia: enciclopédia multilíngue, on-line, livre e colaborativa.
*Adam Smith e o liberalismo econômico: os iluministas criticaram
também a intervenção do governo na economia. Os primeiros a fazer essa crítica
foram os fisiocratas franceses. Para estes, a terra era a única fonte de
riqueza e, logo, a agricultura era a mais importante das atividades econômicas.
Os fisiocratas afirmavam também que a economia era regida por leis; a mais importante
delas era a lei da oferta e da procura. Explicando: quando a oferta de um
produto é maior que a procura das pessoas por esse produto, o preço tende a
baixar; quando ocorre o contrário, o preço tende a subir. Era precisamente isso,
porque existiam essas leis econômicas que os fisiocratas defendiam, pois, que o
governo não deveria interferir na economia – controlando a produção ou o preço
das mercadorias que seriam comercializadas. Na verdade, para esses pensadores,
o governo deveria apenas incentivar o progresso. Os fisiocratas criaram um lema
que resumia muito bem seu pensamento: “laissez-faire,
laissez-passer, Le monde va de lui-même” (deixai fazer, deixai passar, que
o mundo caminha por si mesmo). O britânico Adam Smith (1723-1790) também
defendia a livre concorrência de mercado, na qual o governo não interferiria na
economia. Para o pensador, todas as nações e empresas, bem como todos os
indivíduos sairiam lucrando ao se comportarem assim, pois cada uma produziria
somente aquilo que conseguiria fazer melhor. Por exemplo: as nações com perfil
mais agrícola se dedicariam à agricultura, enquanto as mais industrializadas se
especializariam na indústria. Essa idéia foi muito bem recebida pela burguesia
inglesa, uma vez que o país estava se industrializando rapidamente e desejava
ampliar o mercado para seus produtos industrializados. Por defender a livre
concorrência e por ser contrário à intervenção do Estado na economia, Adam
Smith ficou conhecido como o “pai do liberalismo econômico”. (Importante: diferentemente
dos fisiocratas, Adam Smith afirmava que a única fonte de riqueza era o
trabalho, pois só o trabalho cria riqueza – e não a terra.)
ATIVIDADES
1. Assinale a alternativa INCORRETA e justifique, em poucas
linhas, a sua escolha.
Para os iluministas:
a) A razão é um valor secundário; com ela ou sem ela, os homens
poderiam alcançar o esclarecimento.
b) A razão devia penetrar todas as atividades humanas para
destruir, assim, o preconceito e a ignorância.
c) Devia-se duvidar de tudo o que era aceito simplesmente porque
havia sido dito por uma autoridade.
d) Todo conhecimento devia ser à crítica.
2. Observe a imagem abaixo com
atenção.

Responda:
a) O que essas mãos sobre a personagem lembram você? O que sugerem?
b) A quais princípios iluministas podemos associar essa imagem?
3. Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
“[...] A maioria
dos filósofos do Iluminismo tinha uma crença inabalável na razão humana. Isto
era algo tão evidente que muitos chamam o período do Iluminismo francês
simplesmente de ‘racionalismo’. [...]
Entre o povo,
porém, imperavam a incerteza e a superstição. Por isso, dedicou-se especial
atenção à educação. [...] Os filósofos iluministas diziam que
[...] a humanidade faria grandes
progressos. Era apenas uma questão de tempo para que desaparecessem a
irracionalidade e a ignorância e surgisse uma humanidade iluminada,
esclarecida. [...].
GAARDER, Jostein. O
mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 338, 340.
Pergunta: o texto nos permite conhecer duas características do
Iluminismo. Quais são elas?
4. É atribuída ao pensador
iluminista Voltaire a seguinte frase “posso não concordar com nenhuma palavra
do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”. O que ele quis dizer com isto?
5. O pensador iluminista Montesquieu
escreveu:
“[...] tudo
estaria perdido se o mesmo homem, ou o mesmo corpo dos principais ou dos
nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer as leis, o de
executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as disputas de
particulares.”
MONTESQUIEU, Livro XI apud PISIER, Evelyne. História das idéias políticas. Barueri,
São Paulo: Manole, 2004. p. 74.
a) O que ele critica nesse trecho?
b) Que teoria os estadunidenses Alexander Hamilton e James Madison
formularam a partir dessa crítica de Montesquieu? Explique.
6. Escreva um pequeno texto sobre o
liberalismo econômico com base no seguinte roteiro:
a) Seus princípios básicos;
b) Sua opinião sobre o liberalismo e o Brasil atual.
Leia o texto a seguir.
“O
legado da Ilustração
[...] teria
ainda a Ilustração forças para influenciar o nosso presente? Seu legado ainda
existe, mas está em crise. Sua bandeira mais alta, a da razão, está sendo
contestada. Sua fé na ciência é denunciada como uma ingenuidade perigosa, que
estimulou a destrutividade humana e criou novas formas de dominação, em vez de
promover a felicidade universal. [...]
Essas
críticas não são de todo falsas, mas são unilaterais. A Ilustração foi, apesar
de tudo, a proposta mais generosa de emancipação jamais oferecida ao gênero
humano. Ela acenou ao homem com a possibilidade de construir racionalmente ao
seu destino, livre da tirania e da superstição. Propôs ideais de paz e
tolerância [...] Seu ideal de ciência era o de um saber posto a serviço do
homem, e não o de um saber cego [...]. Sua moral era livre [...] pregando uma
ordem em que o cidadão não fosse oprimido pelo Estado, o fiel não fosse
oprimido pela religião, e a mulher não fosse oprimida pelo homem. [...]
Esses temas
são [...] importantes e correspondem [...] de perto às exigências contemporâneas
[...].”
ROUANET, Sérgio P. As razões do Iluminismo. São Paulo:
Companhia das Letras, 1987. p. 26-27.
Assinale a alternativa correta.
7. Para os adeptos da Ilustração,
também chamados de iluministas, a ciência era capaz de:
a) criar novas formas de dominação.
b) estimular a destrutividade humana.
c) favorecer a opressão religiosa.
d) promover a felicidade universal.
8. Como o autor do texto se
posiciona ante as críticas à Ilustração?
a) concorda porque os ideais da Ilustração não ajudam a resolver
problemas atuais.
b) concorda parcialmente porque temas como liberdade e paz são
ainda atuais.
c) discorda porque a Ilustração foi uma proposta de emancipação sem
sucesso.
d) discorda porque tais críticas são falsas e incapazes de promover
a felicidade universal.
9. No
texto, a palavra emancipação pode ser associada à idéia Iluminista de:
a) libertação.
b) progresso.
c) razão.
d) tolerância.




Comentários
Postar um comentário