C10. Língua Portuguesa
E.M.E.F. Vereador Carlos Pessoa
de Brum
Nome:
________________________________________Turma: C10 Data:_____/____/_____
Disciplina: Língua Portuguesa
Professora : Cristiane Lopes Nunes Hartstein
Atividade VI de Língua Portuguesa
30/04/2020
*Atenção: Leia o conto para poder responder o roteiro de leitura (
Não é preciso copiar o conto, apenas lê-lo);
Caso não compreenda alguma
palavra do conto, no final há um vocabulário do texto para que você consulte.
O
escaravelho de ouro
Capítulo
1
Alguns
anos atrás, fiz amizade com um tal de William Legrand. Ele tinha nascido em
berço de ouro, numa família protestante. Porém, uma série de infortúnios e um
certo descaso com os negócios o levaram à miséria. A falência financeira fez com
que ele se mudasse de Nova Orleans, onde viviam seus avós e seus antigos amigos
abastados, e fosse viver na ilha de Sullivan, perto da cidade de Charleston na
Carolina do Sul. Essa ilha não tem mais
do que cinco quilômetros de comprimento e somente cerca de 800 metros de
largura. Seu solo é muito arenoso e, portanto, ruim para a agricultura. A
vegetação constitui-se apenas de plantas rasteiras, adaptadas àquele solo seco.
A faixa de água que separa a ilha do continente é estreita e em boa parte
tomada por um canavial. A ponta mais civilizada da ilha tem algumas casas de
madeira e o forte Moultrie do exército norte-americano. Essas casas passam boa
parte do ano desabitadas, recebendo no verão visitantes de Charleston em busca
de um clima mais tranquilo e ruas mais vazias.
Na
outra ponta da ilha, bem afastado da presença humana, meu amigo Legrand
construiu uma pequena cabana. Foi nesse local ermo que eu o conheci e logo
nosso primeiro contato evoluiu para uma amizade movimentada. Legrand despertou
o meu interesse porque, embora morasse num “fim de mundo”, era uma pessoa com
apurados conhecimentos científicos, artísticos e filosóficos. Seu lado
espiritual era igualmente bem desenvolvido, mas, devido à ruína financeira de
sua família, ele demonstrava uma aversão profunda à sociedade, alternando
momentos de empolgação com horas de abatimento e tristeza.
Gostava
de caçar, de pescar e principalmente de caminhar pela ilha em meio às murtas,
procurando pequenos seres vivos como moluscos. Colecionava amostras entomológicas
e seu acervo era impressionante. Nessas incursões, Legrand sempre tinha a
companhia de Júpiter, um velho negro que desde criança lhe servia de tutor e
serviçal. Júpiter era empregado da família nos tempos de riqueza e, após a
bancarrota, recusara-se a abandonar Legrand, permanecendo fiel ao patrão.
Em
certa tarde de inverno, aproximadamente no ano de 1800, resolvi visitar meu
amigo. Geralmente o frio é ameno na ilha de Sullivan, mas aquele dia estava
muito gelado. Pensei que a boa caminhada poderia me esquentar e que um jantar
na companhia de Legrand, de Júpiter, de vinho e do fogo da lareira poderia ser
algo animador. Cheguei na cabana próximo ao pôr do sol. Bati à porta, mas não
houve resposta. Mexi na maçaneta e, como de costume, estava aberta. Entrei na
casa e verifiquei que estava realmente vazia; no entanto, para meu deleite, a
lareira estava acesa! Aproximei-me do fogo e comecei a me aquecer. Minhas mãos
e meus pés estavam duros de tanto frio. O mesmo acontecia com o nariz. O fogo
começou aos poucos a amolecer minhas carnes e a me dar certo conforto.
Antes
que a noite se firmasse, a porta se abriu e pude ver Legrand e Júpiter. Ao me
ver, o sorriso muito branco de Júpiter tomou conta de seu rosto. Carregava duas
galinhas-d’água, parte da fauna nativa e, em breve, itens preciosos de nosso
jantar. Quanto a Legrand, estava eufórico. Seu entusiasmo era quase uma crise!
—
Encontrei um espécime maravilhoso! — dizia emocionado.
—
Você não vai acreditar em como é belo! Que bom que você veio me visitar, pois
você precisa vê-lo, meu amigo! É esplêndido!
Sem
sabe ao certo o que fazer diante de tamanha animação, cumprimentei Legrand e
perguntei:
—
Fico contente pelo seu achado. Gostaria de saber que bicho é esse que você
encontrou. Posso vê-lo?
—
Ah, meu amigo, ele é extraordinário! Sua beleza é raríssima! Pergunte a
Júpiter!
Olhei
para Júpiter e ele tinha o rosto satisfeito. Sempre com um sorriso na boca,
confirmou que o bicho era muito bonito.
Como
minha curiosidade estava à flor da pele, perguntei:
—
Mas que bicho é esse do qual vocês tanto falam?
—
É um escaravelho! Um escaravelho de ouro! — gritava Legrand.
—
De ouro? Você quer dizer de cor dourada, né? — perguntei.
—
Passe a noite aqui em casa e, assim que amanhecer, eu lhe mostro o escaravelho.
—
Não entendo, Legrand. Por que você não me deixa vê-lo hoje à noite? Por que não
posso vê-lo agora?
A
euforia de Legrand tinha me deixado curioso, mas minha maior preocupação era
esfregar as mãos e aproveitar o fogo da lareira.
—
Se eu soubesse que você viria eu não teria feito o que fiz. Mas não tinha como
prever sua visita, justamente em uma noite tão fria. Após encontrar o
escaravelho, já no caminho de casa, eu encontrei o tenente G, perto do forte,
do outro lado da ilha, sabe?
—
Sim, conheço o tenente.
—
Pois bem, o tenente ficou maravilhado com o escaravelho e me pediu para
estudá-lo. Eu deixei que permanecesse com ele esta noite, imprudência da qual
me arrependo agora. Durma aqui em casa e amanhã, ao nascer do sol, mandarei
Júpiter buscar o escaravelho. É o maior esplendor da natureza!
—
O nascer do sol?
—
Claro que não, que diabo! É o escaravelho, você precisa vê-lo!
A
devoção daquele homem culto por um inseto estava me deixando irritado. Para
evitar de falar algo que magoasse meu amigo, resolvi respirar fundo. Ele
começou a descrever o bicho, em tom emocionado:
—
Sua cor é brilhante. Tem o volume de uma noz de tamanho grande. Na extremidade
traseira do casco tem duas manchas escuras como o jade. Na parte dianteira de
suas costas ele tem outra mancha, mais alongada. Suas antenas... Ah!, suas
antenas...
—
Sinhô, ele não tem antanha não, sinhô — disse Júpiter, com sua fala peculiar,
interrompendo o delírio de Legrand. Mas
ele é de ouro maciço! Por dentro e por fora. Eu nunca vi um inseto tão pesado
em toda a minha vida.
—
Tudo bem, Jup, tudo bem — disse Legrand. — Digamos que você esteja certo. Mesmo
assim, será que isso é motivo para queimar as galinhas?
Júpiter correu para a cozinha, de onde
saía um cheiro agradável de galinha assada. Legrand continuou falando:
—
O inseto realmente tem um reflexo metálico muito brilhante, mas só amanhã
você poderá avistá-lo. Vou fazer o
seguinte: desenharei o escaravelho para que você possa ter uma ideia melhor.
Legrand
sentou a sua escrivaninha e pegou a pena e a tinta, porém não encontrou papel.
Abriu a gaveta; e estava vazia. Colocando as mãos nos bolsos, retirou o que, a
distância, parecia ser um pedaço de pano velho, mas era, na verdade, um
pergaminho sujo. Ali ele fez seu desenho, enquanto eu continuava sentado perto
do fogo, tentando espantar o meu frio. Legrand terminou e, estendendo o braço,
passou-o para mim. Assim que peguei o pergaminho, ouvimos um latido forte.
Júpiter abriu a porta dos fundos e o colossal Terra-Nova de Legrand adentrou a
sala, pulando em mim. Suas patas apertaram meus ombros, sua boca se abriu
mostrando caninos enormes e agudos. Felizmente, em vez de me trucidar, o cão
começou a me lamber! Eu era seu amigo e em minhas visitas anteriores havia dado
muito carinho a ele. Fiquei contente por ter me reconhecido.
Assim
que Wolf se acalmou, fui olhar o desenho de Legrand. Era um esboço no mínimo
intrigante. Fiquei uns dois minutos observando-o, até que Legrand perguntou o
que eu havia achado do inseto.
—
É bem estranho esse escaravelho, William. Nunca vi nada parecido com esse
desenho, a não ser um crânio ou uma caveira. É isso, esse escaravelho tem a
forma exata de uma caveira!
—
Uma caveira? Que estranho, ao vivo ele não parece com uma caveira. Deve ser o
formato oval e as duas manchas na traseira que podem lembrar os olhos, e a
outra mancha, que, embora meio torta, pode fazer as vezes de uma boca...
—
É, pode ser isso. Pode ser que você não seja um bom desenhista também. Mas acho
melhor eu esperar até amanhã, né?
—
Fico até ofendido com sua suspeita de que não sou bom desenhista, porque tive
bons mestres. Sei desenhar!
—
William, eu não quis ofendê-lo. O crânio está muito bem desenhado. Dá pra dizer
que é um crânio perfeito, até. Agora, para dizer que essa caveira que você
desenhou é um escaravelho é preciso alguma imaginação. A não ser que o
escaravelho que você encontrou tenha realmente o formato de uma caveira...
—
Então me dê sua opinião sobre as antenas do bicho. Eu as desenhei com muita
exatidão.
—
Bom, William, ou você está brincando comigo ou algo bem sério está acontecendo
aqui, porque essa caveira que você desenhou não tem antenas!
Passei
o desenho para William, que estava muito aborrecido com a minha interpretação.
Por um instante, achei que ele iria amassar o papel e jogá-lo ao fogo, mas com
o canto dos olhos ele fitou o pergaminho e então olhou fixamente para a figura
e seu rosto assumiu uma nova expressão. Seus olhos se arregalaram. Foi para o
outro extremo da sala onde examinou o pergaminho de todos os ângulos e lados
possíveis. Resolvi ficar em silêncio para não atrapalhá-lo. Dez minutos depois,
ele guardou o pergaminho na carteira, e está no cofre, e voltou para perto do
fogo, como se nada tivesse acontecido, embora a expressão do seu rosto fosse
mais séria.
À
medida que a noite avançava, meu amigo ia ficando cada vez mais sério. Tentei
puxar conversa, abordei vários assuntos que agradavam ao meu anfitrião, mas
nada o demovia daquele estado de concentração e quietude. Por isso, após o
jantar resolvi ir embora mesmo na noite fria. Legrand não disse uma palavra
sequer para me fazer mudar de ideia, embora tenha se despedido de mim de modo
cordial, com um entusiasmado aperto de mãos.
Capítulo
2
Um
mês após aquela estranha noite, Júpiter bateu à porta da minha casa na cidade
de Charleston. Disse que William queria me ver. Achei esquisito por quem fazia
um mês que eu não o via e não tinha notícias dele. Cheguei até a pensar que ele
estava aborrecido comigo ou que nossa amizade havia acabado.
Jup
estava triste, com uma aparência cansada. Disse que Legrand estava agindo de
modo realmente incomum. Muito pensativo, muito quieto, sempre rabiscando
estranhos caracteres em folhas de papel.
—
Caracteres? — perguntei com uma
curiosidade sincera.
—
Sim, ele passa boa parte do dia e da noite anotando sinais estranhos. Age como
se estivesse fazendo cálculos intermináveis...
Fico muito preocupado. Outro dia ele sumiu antes mesmo de o sol nascer e
ficou fora durante o dia inteiro! Sabe o que eu fiz? Arrumei um belo pedaço de
pau e decidi lhe aplicar um corretivo exemplar quando voltasse, para aprender a
avisar aos mais velhos para onde vai e a que horas volta.
—
Você bateu nele, Jup?
—
Eu sou tão estúpido que não tive coragem...
Mas que ele merecia uma sumanta de pau, ah isso ele merecia.
Tive
vontade de rir, porque Júpiter naquela época já tinha certa idade, e Legrand,
um jovem adulto, deveria ter uns 25 anos. Mas em respeito à preocupação de
Júpiter, apenas falei:
—
Na minha opinião você acertou em não surrá-lo. Muitas vezes uma boa conversa
tem mais efeito do que um ato violento e, afinal de contas, você disse que ele
está diferente. Talvez esteja doente. Se for isso, talvez ele nem aguente
apanhar.
Jup
me olhou com muita seriedade e pediu que eu o acompanhasse até a ilha. William
queria muito me ver e Jup achava que esse encontro faria bem ao seu protegido.
Em princípio não quis aceitar o convite, até que Júpiter me mostrou uma carta
que William endereçara a mim.
Caro
amigo:
Faz
tempo que não nos vemos. Temo que sua ausência tenha a ver com meu
comportamento pouco cortês na última vez que nos encontramos. Mas, como o
conheço, sei que aquele pequeno detalhe não será capaz de estragar nossa
amizade.
Tenho
estado muito ocupado desde aquela noite, em um projeto muito interessante.
Minha
dedicação é tanta que Júpiter anda aborrecido comigo. Acredita que ele pensou
até em me bater para ver se eu voltava ao “normal”?
Preciso
de sua ajuda para completar o projeto. Venha nesta noite, se possível. Temos
uma tarefa da mais alta importância.
Do
seu devotado amigo,
William Legrand
Diante
de tanta solenidade e também para animar o coração bondoso de Júpiter, aceitei
o convite. Enquanto preparava minhas coisas, pensava no que Legrand estaria
aprontando. Qual seria a tal tarefa da mais alta importância? Segui Jup até o
cais da cidade, onde nos acomodamos no pequeno barco de Legrand. Havia uma
foice e três pás novas no casco da embarcação. Perguntei o porquê daquilo e
Júpiter disse que eram ordens do patrão comprar as ferramentas. Disse que tinha
saído caro e que, sinceramente, não sabia o que Legrand faria com elas.
Fiquei
mais intrigado ainda. Minhas suspeitas de que Legrand pudesse estar louco iam
aumentando a cada nova informação que eu obtinha de Jup. A tarde já ia pela
metade quando o vento inflou as velas do barco e começamos a contornar, em
silêncio, a costa da ilha de Sullivan até a residência de meu amigo.
Chegando
lá, pude ver o estado deplorável de William. Sua pele estava muito pálida.
Olheiras pesadas denunciavam que meu amigo vinha dormindo mal ou dormindo menos
do que o necessário.
Conversamos
sobre sua saúde, enquanto o sol lentamente descia no horizonte. Legrand me
garantiu que estava tudo bem com ele e que sua aparência cansada se devia à
extensa e dedicada pesquisa que realizara durante minha ausência.
—
Essa pesquisa tem a ver com o escaravelho? Você foi buscá-lo na manhã seguinte
ao nosso jantar?
Legrand
sorriu e disse que havia buscado o inseto na manhã seguinte, “por nada nesse
mundo me separaria dele!”, disse.
—
Por quê? — perguntei espantado.
—
Porque eu acho que Júpiter estava certo quando afirmou que o escaravelho era
feito de ouro!
Não
havia brincadeira em sua voz, pelo contrário, havia uma seriedade que me deixou
preocupado. Legrand tinha nascido em uma família rica e o destino o havia
deixado pobre. Eu me perguntava se essa história do escaravelho não seria um
delírio, uma espécie de ecanismo mental que ele usava para se iludir e escapar
da pobreza.
Percebendo
meu ar de descrédito, Legrand pediu que Júpiter fosse buscar o inseto.
—
Sinhô, eu não me meto com esse bicho, não sinhô!
Pensei
que William ia ralhar com ele, porém, em vez disso, foi ele mesmo buscá-lo, com
a mesma expressão séria no rosto. Menos de um minuto depois, estava de volta,
com o braço estendido em minha direção.
Devo
dizer que realmente o escaravelho era de uma beleza ímpar. Seu casco tinha a
cor e a textura do ouro polido. Seu peso chamava a atenção, pois era bem mais
pesado do que os outros seres de sua espécie. Todas essas características
aguçavam a minha curiosidade. Cheguei a pensar em fazer uma incisão no inseto.
Se fosse de ouro maciço, resistiria à faca, mas como poderia se locomover, caso
seus órgãos fossem de metal? Desisti da ideia de cortá-lo porque Legrand jamais
permitiria que seu “tesouro” fosse danificado.
—
E então? Não é formidável?
Capítulo 3
Era
muito lindo o escaravelho. Assim como um quadro pode ser lindo ou uma mulher
pode ser extremamente bonita; mas isso não significa que, por gostar de algo,
você deva perder completamente a noção da realidade.
—
Esse escaravelho é formidável, sim — falei para meu amigo —, mas isso não
significa que você deva passar noites sem dormir, agir de forma estranha e
transformar sua vida num caos por causa de um inseto!
Desviando
do assunto, William sorriu e com uma voz sincera disse:
—
Eu preciso de sua ajuda.
Seus
olhos estavam com um estranho brilho. Seu rosto estava tenso.
—
William, a única ajuda que posso te oferecer é levá-lo ao médico. Júpiter me
contou que você tem dormido muito pouco, se alimentado de forma precária e que
passa boa parte do tempo falando sozinho e rabiscando coisas sem nexo!
Novamente
meu amigo desconversou e fugiu das minhas palavras, dizendo:
—
Preciso que você me acompanhe numa excursão!
—
Excursão? Que excursão? Saiba que se isso envolve o escaravelho a minha
resposta é não!
—
Envolve o escaravelho sim e preciso muito da sua companhia e da ajuda de
Júpiter também.
—
Você só pode estar lunático, William. Que excursão é essa? Para onde vamos? Quanto tempo leva a jornada? Por que
você mandou Júpiter comprar aquelas ferramentas?
—
A excursão começa daqui a pouco e deve durar toda a noite. Se você for comigo,
terá todas as outras respostas.
—
Se eu for com você quero que me prometa uma coisa.
—
O que você quer que eu prometa? — perguntou William.
—
Quero que após o final da expedição você aceite se submeter a exames médicos.
Eu vou acompanhá-lo, pois, sinceramente, estou muito preocupado com a sua saúde
mental.
Novamente
William não retrucou minhas observações. Apenas pôs-se a organizar o material
para a excursão. Eram quatro da tarde quando Legrand, Júpiter, eu e o cão
deixamos a casa.
Júpiter
carregava a maior parte do material enquanto caminhávamos em silêncio por uma
trilha que ia até a praia perto do forte. Um pouco antes de chegarmos no canal,
Jup tropeçou em uma pedra e quase caiu.
Seu mau humor veio à tona e escutei ele resmungar:
—
Maldito escaravelho!
Aquelas
foram as únicas palavras que ele pronunciou no decorrer de todo o longo
trajeto. Atravessamos o canal de canoa. No continente, William nos conduziu por
uma trilha muito fechada. Fomos caminhando pela vegetação seca e esquecida, do
lado oposto ao caminho da cidade. Quando começamos a subir um terreno
montanhoso, começava a anoitecer. Eu carregava lampiões e começava a me
aborrecer com aquele “passeio”.
—
William, você quer fazer o favor de nos dizer para onde vamos?
—
Veremos, amigo, veremos...
—
Mas William, o que nós vamos fazer quando chegarmos a esse maldito
lugar?
—
Maldito? — respondeu meu amigo com outra pergunta.
Legrand
me dava pena. Em sua loucura, caminhava com animação. Trazia seu escaravelho
atado a um barbante e, para se distrair, girava o inseto em volta de sua mão.
Às vezes Legrand parava, mexia nos arbustos, consultava suas anotações e seguia
em frente. Como se estivesse se orientando por uma espécie de mapa.
Nossa
caminhada noturna já tinha mais de duas horas e a inclinação da montanha
estava chegando no limite do suportável
para pessoas como eu, sem treinamento em escala.
Foi
então que pegamos outra trilha e rumamos até outro monte, uma espécie de platô
muito escarpado. Havia árvores centenárias naquela região e enormes blocos de
pedra espalhados pelo terreno. Os limites dessa área incomum eram de um lado
montes assustadores, de outro altos precipícios cercados pelo mar.
A
vegetação era tão selvagem que estava à altura de nossos pescoços. William mandou
Júpiter começar a roçar o mato. Obediente, ele pegou a foice e começou a abrir
uma trilha entre nós e um grupo de carvalhos acerca de duzentos metros dali.
Entre os carvalhos se destacava uma árvore do tipo tulipeiro gigante. Era bem
maior e mais alta do que o carvalho, tinha galhos possantes e uma copa muito
frondosa. Sua forma negra contra o céu azul-marinho das primeiras horas da
noite era uma bela imagem.
Quando
Jup acabou de abrir a trilha, Legrand caminhou em volta do tronco descomunal do
tulipeiro e falou:
—
Jup, você acha que consegue subir nesta árvore?
—
Sinhô, Jup nunca viu uma árvore em que Jup não conseguisse trepar!
—
Ótimo! Então pode escalar essa aí que eu te dou as instruções. Mas primeiro
pega o escaravelho. Quero que você suba com ele.
— O escaravelho! O escaravelho, não, sinhô
Will. Não posso subir com o escaravelho...
—
Olha aqui, Júpiter: eu não acredito que você, um negro forte e grande, vá ter
medo de um inseto morto. Para com isso! Pegue o escaravelho pelo barbante e
suba nesta árvore ou eu terei que rachar sua cabeça com essa enxada.
Muito
contrariado e amedrontado, Jup pegou o barbante e começou a escalar os quarenta
metros (pela minha estimativa) da árvore. O tulipeiro, cujo nome científico é
Liriodendron tulipiferum é um dos exemplares mais belos nas florestas dos
Estados Unidos. Quando jovem ele cresce sem desenvolver muitos galhos, mas após
certa idade, seu tronco fica rugoso e um grande número de ramificações surge em
seu tronco.
Júpiter
se valeu das rugas no tronco para apoiar seus pés e firmar suas mãos. Às vezes
apertava os joelhos contra a árvore e a abraçava forte, para em seguia tomar
impulso e avançar mais um pouco. Quando chegava em um galho maior, Jup
descansava um pouco.
Após
o primeiro grande galho, a árvore era para ele como uma enorme escada e sua
tarefa foi facilitada. Em menos de um minuto, nosso amigo sumiu em meio às
folhagens e ao escuro da noite. Apenas ouvíamos o barulho das folhas e dos
galhos balançando, até que o silêncio tomou conta de tudo.
—
Júpiter! Júpiter! — gritou Legrand.
—
Sim, sinhô.
—
Onde você está, Júpiter?
—
Em cima da árvore, sinhô.
—
Isso eu já sei! Mas a que altura?
—
Estou quase no topo. Falta só um galho para chegar no topo.
—
Você consegue subir nesse galho, Jup?
—
Acho que sim, mas ele está meio podre.
—
Júpiter, se você subir neste galho eu te dou uma moeda de ouro, certo?
—
Opa! Já estou subindo, sinhô.
Nesse
momento, se eu ainda tinha alguma dúvida quanto à demência de meu amigo, ela
estava desfeita. Tentei falar com ele. Tentei pedir que ele mandasse Jup
descer, que o galho estava podre e que uma queda daquela altura era morte certa
para Jup, mas nada disso demoveu William de seu propósito misterioso.
—
Você chegou no último galho, Jup?
—
Cheguei, sim, meu sinhô.
—
Júpiter, me diga uma coisa: você está notando algo de diferente ou estranho na
ponta deste galho?
—
Espera aí... AI, MEU DEUS! TEM UMA CAVEIRA AQUI, SINHÔ! Tem uma caveira
pendurada na ponta do galho! Que coisa horrível.
—
Calma, Júpiter, calma! Está tudo bem. É só um pedaço de osso. Agora preste
atenção no que eu vou dizer.
William
disse para Júpiter passar o escaravelho pelo olho esquerdo da caveira e, em
seguida, deixar o inseto cair. Júpiter disse não saber direito qual era o olho
esquerdo. Perguntou se a mão esquerda era a mesma mão que ele usava para rachar
lenha. William, muito nervoso, respondeu que sim e mandou Jup jogar o
escaravelho. O inseto caiu perto de nós. Imediatamente William marcou o local
com uma estaca e, puxando um rolo de barbante do bolso, formou uma linha da
estaca até o tronco. Ordenou que Júpiter descesse e limpasse o terreno com a
foice, enquanto me entregava uma pá e pegava outra para si, dizendo:
—
Vamos, amigos. É hora de cavar!
Capítulo
4
Essa
instrução despropositada era mais uma evidência da loucura de meu amigo. Se eu
pudesse contar com a ajuda de Júpiter, amarraria William e o levaria para casa,
mas sabia que Jup era muito fiel a seu patrão e não me apoiaria nesse plano.
Pensei em contrariar meu amigo e ir embora, mas temia que sem mim ali por perto
sua loucura piorasse e ele acabasse se machucando. Mesmo já estando meio
cansado com a caminhada, peguei a pá e comecei a cavar à direita da linha entre
a estaca e o tronco da árvore, como Legrand mandara.
Júpiter
logo se juntou a nós. Enquanto ia abrindo o buraco, pensava que assim que a
cova estivesse grande, William veria que não havia nada ali. Minha esperança
era que essa desilusão o afastasse da loucura. Tive vontade de perguntar o que ele
estava procurando, mas achei melhor não dar corda para aquela insanidade. O
mais provável era que fosse um tesouro, já que no sul dos Estados Unidos essas
histórias eram muito comuns.
Após
duas horas de intensa escavação nosso buraco já tinha três metros de
profundidade, uns dois de largura e quatro de comprimento. Legrand disse para
pararmos. O cão estava latindo muito e ele temia que isso chamasse a atenção de
algum infeliz que estivesse passando por aquele local deserto. Eu descansava
escorado na árvore, quando Legrand enxugou a testa e, saindo do buraco, correu
para onde Júpiter estava descansando e o agarrou pela gola:
—
Negro desgraçado! Fala pra mim, seu patife. Fala pra mim qual é o teu olho
esquerdo. E não me mente!
—
Sinhô! Não me bate, sinhô! O meu olho esquerdo é esse aqui, sinhô —
disse Júpiter, colocando a mão sobre seu
olho direito.
Achei
que William ia bater no seu criado, mas ele começou a pular e a festejar,
gritando:
—
Eu sabia! Eu sabia que você estava errado. Eu sabia que o tesouro está aqui!
Depois,
um pouco mais calmo, falou:
—
Houve um erro de cálculos. Estamos cavando do lado errado. Temos que fazer um
novo buraco do outro lado da linha. É lá que se encontra o que procuramos.
Sem
falar mais nada, William recomeçou a meter a pá na terra e, sem ousar
interromper o entusiasmo dele, Júpiter e eu fizemos o mesmo. Eu estava cansado,
mas a energia de Legrand, seu raciocínio em consultar o mapa, achar a árvore, a
caveira e calcular o local da queda do escaravelho haviam me animado. Agora que
eu sabia que era mesmo um tesouro que estávamos procurando, uma série de
pensamentos sobre o que fazer com o dinheiro começaram a percorrer minha
cabeça. A ideia de ficar rico me fez superar o cansaço.
Já
estávamos cavando fazia uma hora e meia quando Wolf começou a latir e a uivar.
Júpiter saiu do buraco para prender o cão, mas este desviou de nosso amigo e
pulou para dentro do buraco, onde pôs-se a cavoucar freneticamente o solo. Não
demorou muito para aparecer um conjunto de ossos humanos completos misturados a
pedaços de roupas antigas e botões de metal. Apareceram ainda três moedas de
prata.
Os
olhos de Júpiter brilharam com elas, mas o entusiasmo de Legrand murchou ao
vê-las. Era o fim do delírio, pensei, enquanto me aproximava de Jup para ver as
moedas, coisa que não consegui fazer pois o bico de minha bota havia enganchado
em algo, me levando ao chão. Levantei e reparei que era uma argola de ferro.
Chamei Legrand. Seu olhos se arregalaram e ele disse:
—
É o baú! É o baú! Vamos, cavem! Cavem!
Cavamos
como loucos por mais meia hora, até desenterrar aquele pesado baú de metal.
Tinha cerca de um metro de comprimento, uns 80 centímetros de largura e meio
metro de profundidade. Era feito de um ferro muito bem trabalhado e preparado.
Por baixo da sujeira, a corrosão era mínima em suas paredes.
Havia
seis argolas de ferro em volta dele para facilitar o transporte, ou seja, eram
necessários seis homens para carregá-lo. Em sua tampa havia outra argola, onde eu
havia tropeçado.
Com
cuidado, William abriu os ferrolhos do baú e ergueu sua tampa. As luzes de
nossos lampiões logo focavam um resplandecente tesouro de valor incalculável!
Centenas de moedas de ouro, prata, cobre, anéis, colares, coroas, taças de
ouro, pedras preciosas que faiscavam em nossos olhos. Era tarde da noite,
estávamos muito cansados, sujos e suados, mas uma alegria dourada fazia a gente
pular e se abraçar como crianças! Júpiter, com o rosto pálido e os braços
mergulhados no ouro, gritava:
—
Isso é coisa do escaravelho de ouro. Do lindo escaravelho de ouro!
Legrand
pediu que ele falasse mais baixo e disse que, em parte, era obra do
escaravelho, sim, mas que explicaria
tudo mais tarde.
Após
aqueles momentos de inesquecível euforia, fomos voltando à realidade. Tínhamos
um problema a ser resolvido: era preciso transportar o tesouro até a casa de
Legrand antes do nascer do dia. Para tanto, esvaziamos três quartos do baú e só
assim conseguimos, com dificuldade, removê-lo da cova. Decidimos esconder no
mato a parte do tesouro retirada do baú, deixando Wolf de guarda, e carregamos
o baú com um quarto da riqueza até a casa de Legrand. Eram quase duas da manhã
quando chegamos lá. Demoramos duas horas entre jantar e descansar um pouco.
Depois voltamos ao local das escavações praticamente correndo, cada um de nós
carregando um grande e resistente saco de alinhagem. Wolf e o tesouro, para a
nossa felicidade, continuavam lá. Com muitas dores musculares, fizemos o
trajeto de volta à cabana. Quando chegamos à casa de Legrand, o sol começava a
aparecer. Colocamos os sacos de ouro no baú. O sol entrava pela janela da sala
e dourava as peças. O reflexo delas tatuava nossos rostos. Não sabíamos o que
fazer com tanto dinheiro!
De
repente, era como se nosso cansaço tivesse desaparecido com o nascer do dia.
Com o fim da noite e da pobreza. Em vez de dormir, começamos a selecionar o
tesouro. Examiná-lo, ver que maravilhas ele continha. Havia cerca de 450 mil
dólares em moedas de ouro da França, Espanha, Alemanha e Inglaterra.
Algumas
moedas tinham um tamanho enorme e estavam tão gastas que era impossível saber
de onde vinham. Havia cento e dez diamantes de porte médio e grande. Dezoito
rubis de alto brilho, 310 esmeraldas pequenas e médias, 21safiras azuis e uma
opala. Havia cerca de duzentos anéis e brincos de ouro maciço, trinta cordões
de ouro, 83 crucifixos grandes e pesados de ouro e prata, tigelas, candelabros
e incensórios de ouro, prata e bronze, dois punhos de espada de prata e vários
outros objetos menores de prata e cobre que não lembro mais ao certo a
quantidade. Ao todo o tesouro pesava cerca de 160 quilos e valia, pelos valores
da época, cerca de um milhão e meio de dólares.
Capítulo
5
Enquanto
classificávamos as peças, Legrand contou o mistério do escaravelho. Disse que o
enigma começara a ser resolvido naquela noite fria em que eu fora visitá-lo.
Quando fez o desenho do escaravelho no pano sujo, Legrand havia caprichado,
pois era bom desenhista e queria que eu tivesse uma boa noção da beleza do
inseto. Porém, no momento em que ele me passava o desenho, eis que Wolf pulou
com as patas no meu colo. Legrand disse que, com o susto, eu abri os braços e
aproximei minha mão e o desenho a uma distância perigosamente próxima da lareira
onde me aquecia.
William
disse que quase se levantou para salvar o desenho, mas foi tudo muito rápido e,
antes que ele pudesse reagir, eu já o havia afastado de perto do fogo e Wolf já
tinha deixado meu colo. Então olhei o pano sujo, que era na verdade um pedaço
de pergaminho, e vi o desenho da caveira. Como William havia desenhado um
escaravelho houve o impasse. Achei que ele estava aborrecido e devolvi o
desenho a ele, que se espantou muito e se manteve quieto e pensativo.
Como
vocês já sabem, fui embora, achando que Legrand estava ofendido comigo. Na
verdade, ele estava intrigado com a mutação do desenho de escaravelho que
fizera para a forma perfeita da ilustração de uma caveira. Tão intrigado que
ficou analisando o porquê de seu desenho ter dado lugar a um desenho de
caveira. Vou tentar reproduzir aqui as palavras de Legrand, ditas enquanto
classificávamos o tesouro:
Como
não havia encontrado papel para fazer o desenho, coloquei a mão no bolso do
casaco e senti a textura do pedaço de pergaminho que eu havia achado na praia,
naquele mesmo dia em que achara o escaravelho. Fiz o desenho sobre o pergaminho
e passei para você. Ao pegar o desenho, Wolf pulou em seu colo e você aproximou
a mão da lareira. Veja que sequência fantástica de eventos daquele dia:
Você
veio me visitar sem ter avisado, algo raro.
Era
o dia mais frio do ano, o que nos obrigou a acender a lareira ainda de tarde,
antes que você chegasse.
Eu
e Júpiter achamos o escaravelho e o pergaminho no mesmo dia.
De
forma imprudente, emprestei o inseto ao tenente, o que me obrigou a usar o
pergaminho para fazer o desenho.
Justamente
no exato momento em que lhe passei o desenho, Wolf pulou sobre você, fato que o
fez aproximar o desenho do fogo.
—
Sim, mas que importância teve essa aproximação? — lembro-me de ter
perguntado.
Legrand
dissera:
—
Ah, meu amigo, esse pergaminho pertenceu a um pirata famoso, creio que tenha
pertencido ao Capitão Kidd. Esse pergaminho era na verdade um pequeno mapa,
escrito com uma espécie de “tinta invisível” à base de substâncias químicas
como o óxido azul de cobalto, água-régia, ácido nítrico etc. ... Essa tinta
desaparece após algum tempo, mas quando submetida ao calor extremo ela volta a
se revelar. Por isso, a sequência de coincidências anteriores fez com que a caveira
no canto do mapa fosse revelada. Essa caveira é uma espécie de assinatura do
pirata. Depois que você foi embora, resolvi ler sobre o assunto e descobri que
essa região, devido à proximidade com o mar do Caribe, era muito frequentada
pelos piratas. Existem muitas lendas locais sobre isso também, como você deve
saber. Por isso, com todo o cuidado, submeti o mapa novamente ao calor do fogo,
desta vez com método, para que o pergaminho recebesse o calor de forma
homogênea e por mais tempo, e o mapa se revelou!
—
Era um texto enigmático. Parte dele estava em código, por isso fiquei dias
e dias falando sozinho e rabiscando
coisas.
—
E por isso você passou um dia todo longe de casa sem me avisar, né, sinhô?
—
Exatamente, Jup. Mas era preciso. Precisava reconhecer o terreno descrito
no mapa. Foi difícil, mas consegui achar
o monte, o platô e o tulipeiro entre os carvalhos
—
Certo, mas e quanto ao escaravelho? Por que Jup teve que jogá-lo do olho
esquerdo da caveira? — perguntei.
—
O mapa pedia que uma pedra fosse jogada por dentro do olho esquerdo para
revelar a localização do tesouro. Como o escaravelho foi um dos fatores que nos
levou ao tesouro e como ele lembra ouro e riqueza, resolvi usá-lo no lugar da
pedra.
—
Genial, William, genial! E pensávamos que você estava louco!
—
É. A gente pensou mesmo — disse Jup rindo muito e balançando a cabeça.
—
William, e quanto àqueles ossos lá no buraco? Será que são do tal pirata?
—
Creio que não. Eles devem ser dos subordinados ou dos escravos que cavaram o
buraco. Para evitar que eles contassem onde estava o tesouro, Kidd – se é que
foi ele – os matou. Dois bons golpes com a pá, enquanto os homens ainda estavam
cavando, devem ter bastado. Mas talvez tenham sido necessárias umas doze
pancadas... Quem vai saber?
Edgar Allan Poe
*Consulte o vocabulário do texto para
uma melhor compreensão.
Vocabulário do conto O escaravelho de
ouro
|
|
❦ abastado: rico
|
❦ extremo: muito forte
|
❦ acervo: coleção
|
❦ fauna: conjunto de animais de uma região
|
❦ aguçavam: estimulavam
|
❦ formidável: muito bonito
|
❦ anfitrião: quem recebe convidados
|
❦ frondosa: cheia de folhas
|
❦ aversão: ódio, repulsa
|
❦ homogênea: igual
|
❦ bancarrota: falência
|
❦ ímpar: que não tem par, único, singular
|
❦ caveira: esqueleto da cabeça
|
❦ imprudência: falta de prudência, irresponsabilidade
|
❦ colossal: enorme, gigante
|
❦ incisão: corte, talho
|
❦ cordial: sincero, franco
|
❦ infortúnio: infelicidade, desgraça
|
❦ cortês: que age com cortesia
|
❦ maciço: algo duro, compacto; algo que não é oco
|
❦ deleite: prazer completo
|
❦ murta: Mouriria guianensis, planta dos Estados Unidos
|
❦ delírio: entusiasmo extremo, exaltação
|
❦ nascido em berço de ouro: nascido em família rica
|
❦ demovia: fazia desistir
|
❦ nexo: coerência, lógica
|
❦ deplorável: lamentável
|
❦ olheira: mancha abaixo dos olhos em decorrência de insônia,
|
❦ descaso: desconsideração, descuido
|
❦ pálida: branca, alva
|
❦ descomunal: fora do comum, colossal
|
❦ peculiar: característica especial de uma pessoa
|
❦ devoção: dedicação intensa
|
❦ pena: objeto usado para escrever antes da invenção da caneta
|
❦ devotado: dedicado
|
❦ pergaminho: couro de animal, raspado e polido, que era usado para a
escrita
|
❦ enigma: mistério
|
❦ platô: planalto
|
❦ entomológica: relativa à entomologia, ao estudo dos insetos
|
❦ precária: insuficiente
|
❦ ermo: distante, longe
|
❦ ralhar: repreender em voz alta
|
❦ escarpado: íngreme, difícil de subir
|
❦ resplandecente: brilhantíssimo
|
❦ espantou-SE: surpreendeu-se, admirou-se
|
❦ serviçal: trabalhador, criado
|
❦ esplendor: grandeza, suntuosidade
|
❦ solenidade: formalidade
|
❦ euforia: alegria intensa
|
❦ subordinado: subalterno, que está sob as ordens de outro
|
❦ evidência: prova
|
❦ sumanta: surra
|
❦ exatidão: precisão, rigor
|
❦ trucidar: matar com crueldade
|
·
Imprima e cole ou copie no caderno as
perguntas do roteiro e responda-as:
ROTEIRO
DE LEITURA
1.Você gostou do Escaravelho de ouro?
Por quê?
2.Onde se passa a história?
3. Quais são os personagens da história?
4. Com qual personagem você mais se
identificou? Por quê?
5. De qual personagem você menos gostou?
Por quê?
6. Encontre as palavras do texto que
estão escritas em latim.
7.Descubra por que elas foram escritas
em latim. Se precisar, fale com seu professor
de ciências.
8. Antes de William explicar todo o
mistério, você pensava que o escaravelho tinha algum poder especial ou achava
que ele era só um inseto comum?
9.Júpiter pensou em dar uma surra em
Legrand, quando ele saiu sem avisar. Essa atitude está certa? Por quê?
10.Na sua opinião, Júpiter era um
empregado ou um escravo de William Legrand?
11.William Legrand ficou obstinado com o
escaravelho, tentando desvendar o mapa, fato que causou a preocupação de
Júpiter e do narrador. Você já agiu assim alguma vez? Conte sua experiência.
12.O narrador e Júpiter duvidavam da
sanidade mental de William, mas depois viram que estavam errados. Você já se
enganou com algo que tinha a certeza de estar certo? Como foi?
13.O escaravelho é descrito pelos
personagens como sendo “formidável”, “esplêndido”,
“de uma beleza ímpar”... Quando você
gosta muito de uma coisa, quando algo é muito legal, que palavras você usa para
se expressar?
14. Compare as suas palavras com as
palavras de seus colegas. Existe muita semelhança?
15.Você acha que seu vocabulário faz
parte do Português formal ou pode ser classificado como gíria? Qual a opinião
de seu professor sobre isso?
16.No final da história, os três amigos
estavam conversando e classificando o tesouro. O que você acha que eles fizeram
depois disso?
17.Você gostaria de encontrar um tesouro
como o da história? O que você faria com ele?
18. Escolha um trecho do livro e crie
uma cena. Forme um grupo de no máximo quatro pessoas, ensaie a cena e depois a
apresente a seus colegas.
19. O que você tem de mais valioso? Onde
você guardaria seu tesouro?
20. Faça um mapa do seu tesouro e
entregue para alguém que você ame.
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