Filosofia. C30
O CONTRATO SOCIAL
Fábio
Gai Pereira
Alguns
filósofos defenderam a importância de um contrato
social. Esses filósofos são chamados de contratualistas. Eles enfatizam
a ideia de que existiu uma época da história da humanidade em que não existiam leis civis nem propriedade privada.
Nessa época, as pessoas viviam, portanto, em um estado
de natureza. Ou seja, viviam como vieram da natureza: sem posses e sem
estarem inseridos nas normas de civilização que existem atualmente.
Após
a revolução agrícola, ocorrida aproximadamente
em 10.000 a.C., quando descobriu-se que as plantas vinham de sementes, os
humanos passaram a fixar-se em pedaços de terra, cultivando as sementes que
escolhiam. Surge, assim, a propriedade privada, e com ela todos os desafios
gerados para proteger as riquezas acumuladas, bem como todos os desafios que
surgem para que acordos sejam feitos e cumpridos.
Para assegurar melhores condições de vida, surgem as leis, que são
garantidas pelo Estado.
Chamamos de contrato
social a esse acordo celebrado pelos cidadãos, cujo cumprimento é
exigido pelo Estado, e que tem por objetivo principal garantir a vida das
pessoas e a organização social.
THOMAS
HOBBES
Fonte da imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d8/Thomas_Hobbes_(portrait).jpg&imgrefurl=https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes&h=1169&w=1109&tbnid=5vcAaeG7L4wpqM:&tbnh=186&tbnw=176&usg=__wJXlqHkTMqbZfKH6WMMlgZ9Ln2k=&docid=lDROKaWhNw9JsM&itg=1
Segundo
o filósofo inglês Thomas Hobbes
(1588-1679), o ser humano é
naturalmente mau. Ele é o autor da frase “O homem é o lobo do homem”. Com essa
afirmação ele quis dizer que os seres humanos são inimigos entre si. As pessoas
só pensam em si mesmas. São egoístas.
Para
freiar o egoísmo das pessoas e garantir as suas vidas é necessário um contrato social, que consiste em um
acordo coletivo que nasce a partir do momento em que as pessoas, de modo geral,
convenceram-se a respeitar as leis, por entenderem a sua importância. As
pessoas, entretanto, podem ser convencidas a respeitar as leis por dois
motivos: (1) por medo das
punições do Estado e (2) porque
ganham com isso, pois agem dentro da lei esperando que as outras também ajam
dentro da lei. Isso manteria a paz e a ordem na sociedade e garantiria
condições mais favoráveis de sobrevivência. Desse modo, como as pessoas são
todas egoístas, elas somente respeitam leis por esses dois motivos: (1) medo das punições e (2) porque ganham algo em troca: ganham
segurança, pois as outras pessoas
estarão impedidas de fazer tudo o que querem e ganham melhores condições de manter a própria vida,
pois as pessoas cumprirão os seus deveres esperando que os outros também
cumpram, e exigirão que os outros sejam punidos se não cumprirem, sendo que
contarão com a força do Estado para fiscalizar os acordos e lançar punições
para os que não honrarem seus compromissos acordados.
JEAN-JACQUES
ROUSSEAU
Fonte da imagem:
https://www.google.com.br/search?q=rousseau&espv=2&biw=1366&bih=667&site=webhp&tbm=isch&imgil=dLH-_bPTjWG1_M%253A%253BVRcYOdCiFkaKyM%253Bhttp%25253A%25252F%25252Frevistaescola.abril.com.br%25252Fformacao%25252Ffilosofo-liberdade-como-valor-supremo-423134.shtml&source=iu&pf=m&fir=dLH-_bPTjWG1_M%253A%252CVRcYOdCiFkaKyM%252C_&dpr=1&usg=__IQ0i9qCrJxESR47zkxlxH0orDik%3D&ved=0CIQBEMo3ahUKEwiElKz4tZjIAhWIEJAKHcCMBSg&ei=4IIIVoSkMoihwATAmZbAAg#imgrc=lwC_giIARUVOxM%3A&usg=__IQ0i9qCrJxESR47zkxlxH0orDik%3D
Segundo o
filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau
(1712-1778), o ser humano é naturalmente bom. Para Rousseau, na época em que os seres
humanos eram nômades, no estado de
natureza, eles eram, de modo geral, bons.
Eram nômades, pois andavam livres pelos campos com suas famílias à procura de
alimentos, quem vinham de árvores frutíferas ou dos animais que caçavam e,
assim, não possuíam PROPRIEDADE PRIVADA.
Propriedade
privada significa alguma coisa que pertence a uma pessoa ou a um grupo
específico de pessoas. É o contrário de propriedade pública, que é algo que
pertence a todos os cidadãos. Por exemplo, o seu celular é uma propriedade
privada, pois pertence somente a
você. Já o banco da praça, onde todos podem sentar, é uma propriedade pública,
pois pertence a todos os cidadãos.
De acordo com Rousseau, embora o ser humano seja bom quando ele nasce, infelizmente
ele é CORROMPIDO
devido à INFLUÊNCIA DA SOCIEDADE, que estraga os seus valores morais e
espirituais. O surgimento da PROPRIEDADE PRIVADA contribuiu para essa
corrupção. Pois, quando as pessoas eram nômades não pensavam tanto em ter coisas, pois estavam mais acostumadas
a compartilhar. Quando surge a
propriedade privada, as pessoas passam a querer muito mais acumular e muito menos a compartilhar. E então ficam mais
vulneráveis a permitir que nasça dentro de si o sentimento de inveja das
pessoas que têm o que gostariam de ter. Porém, antes, não havia tanto motivo
para inveja, pois viviam de modo a usar coletivamente as coisas, sem ter ao
menos um pedaço de terra que fosse somente seu.
A essas pessoas
que viviam como nômades, antes do surgimento da propriedade privada, Rousseau chama
de BONS SELVAGENS. Eles viviam no estado
de natureza, ou seja, sem as leis de um Estado e, dessa forma, tendiam a permanecer
bons. Hoje em dia, as pessoas vivem dentro de um contrato social, em um estado de sociedade civil, onde existem
leis, asseguradas pelo Estado, e que regulamentam o direito de propriedade
privada. Para Rousseau o contrato social é necessário como uma forma de
organizar essa sociedade corrompida.
O
ESTADO E O CONTRATO SOCIAL
Como vimos, os
filósofos Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau são contratualistas, ou seja,
defendem que existiu um estado de natureza e, depois, surgiu a necessidade de
um contrato social para então fundar um estado civil. Esses dois filósofos,
embora concordem sobre a necessidade do contrato social, discordam sobre as
razões que fundamentam essa necessidade.
Para Hobbes, o
ser humano é mau por natureza e, por isso, precisa dos limites impostos pelo
contrato social. Para Rosseau, o ser humano nasce bom, mas a sociedade o
corrompe, com o seu conjunto de valores que o levam a ter cobiça, inveja e
egoísmo. Dessa forma, o contrato social surge para dar conta da necessidade de
organizar a sociedade corrompida. Lembrando que, para Rousseau, o surgimento da
propriedade privada teve um papel preponderante para que o convívio fosse
prejudicado. Portanto, para Hobbes, o contrato social é uma resposta à maldade
própria do espírito humano. Já para Rousseau, o contrato social é uma resposta
à maldade que surge no espírito humano, não porque a maldade é inerente à
essência humana, mas porque essa característica é alimentada pelo modelo
organizacional da vida coletiva, baseado na propriedade privada.
Além disso,
Hobbes defendia que a soberania deveria pertencer ao estado, que detém poderes
absolutos. O estado deve ser o soberano do contrato social. Hobbes inspira-se
no monstro mitológico Leviatã para chamar o estado de Leviatã. Esse estado
Leviatã deve ser concentrado em um rei com poderes absolutos. O estado
hobbesiano é, portanto, uma monarquia absolutista e detém a soberania, o poder,
o controle sobre a nação.
Já Rousseau é um
dos inspiradores da Revolução Francesa, justamente a revolução que teve como
objetivo derrubar a monarquia absolutista francesa e instaurar a república.
Rousseau defendia que a soberania deve pertencer
ao povo, que deve ser representado
pelo Estado. Segundo Rousseau, o Estado não deve ser concentrado de modo
absoluto em uma pessoa, mas deve ser dividido em três poderes (legislativo,
executivo e judiciário). E é por meio do voto que o povo deve eleger os seus
representantes.


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